Coordenando projetos de turismo sustentável

Quem deve liderar um projeto de turismo sustentável? A própria comunidade, os governos locais/nacionais ou os potenciais investidores? Quais são os benefícios e desvantagens de cada uma dessas possibilidades?

Você acha que além dos investimentos financeiros por parte de diferentes organizações ou parceiros estratégicos é necessário que seja realizado um acompanhamento técnico pelos mesmos ou não? Você acha que é viável e importante dar visibilidade à comunidade aspectos mais relacionados ao marketing, planejamento estratégico e finanças de um projeto?

Comentarios

Mar, 26/01/2010 - 20:30

A questão é muito abrangente, indo além do fato de que na maioria dos países a democracia é o regime vigente, hoje vivemos na era da informação e do conhecimento.

Neste sentido, teoricamente, os detentores da informação e do conhecimento são todos passíveis da liderança em projetos de turismo sustentável. Para este comentário (e espero que haja carga experimentativa para que faça o mesmo nos demais comentários) usarei sempre como exemplo a comunidade na qual a instituição que faço parte está iniciando um projeto na cidade, onde vivo.

Estudo um pouco a questão do "empoderamento comunitário", por acreditar que a comunidade, de posse da informação, dos recursos, do conhecimento, da tecnologia e da técnica, é capaz de definir por si própria seus rumos, e encontra os meios para tal, inclusive na participação política e na execução de projetos.

Em nossa proposta, tentamos traduzir esta teoria em prática, e espero poder compartilhá-la com o grupo em outro momento. O que vejo é que, inicialmente, temos que preparar os jovens das comunidades locais e tradicionais para tal, de uma forma que eles entendam também a importância de nunca perderem sua identidade e tradição.

Hoje conheço exemplos isolados de iniciativas do tipo, e entendo que elas deveriam existir dentro de TODO o processo educativo - versando um pouco os ideais de Paulo Freire.

Porém a realidade apresenta alguns enfrentamentos até alcançarmos o ideal. Na comunidade que estamos inciando a atuação me deparei com uma "liderança" que me pediu auxilio para elaborar uma proposta através da ong que estava formando. Em uma rápida olhada na papelada vi que a entidade continha erros no estatuto e a diretoria não poderia seguir daquela forma. Com mais uma conversa percebi que ela não sabe ainda como "dar entrada" no processo, e nem como escrever um projeto coerente, não me mostrou certeza na forma como gerenciar os recursos, e prestar contas do mesmo. Tinha o contato político, mas e o resto? Daí ainda fiz um rápido desenho sociológico onde pude enxergar ainda uma certa vontade de benefício financeiro pessoal, e de enfrentamento com uma ong local no qual os dirigentes não são da comunidade.

Lógico que a vontade e o empenho também soaram de forma muito positiva, e venho tentando colaborar, mas tentei conotar as dificuldades para colocar em voga que há muito o que se fazer, de concreto, para que as comunidade se empoderem de tudo que precisam para defender seu "destino". Elas precisam ter mais conhecimento e mais informação, precisam formar técnicos de dentro das comunidades.

Creio que as coisas mudaram, e não só mais os três poderes devem se regular, ou regular um ao outro. Talvez uma inserção mais formal da participação das comunidades organizadas e do terceiro setor como representações também reguladoras do equilíbrio entre os três poderes possa diminuir a distancia entre o técnico e o político, entre o real e o discurso, e se tornar um caminho positivo para a concretização de projetos de todo tipo na área de ciencias humanas.