Oi, Vera!
Primeiro gostaria de agradecer por inscrever a ideia do projeto de vocês! Interessante a parceria estabelecida com o Instituto Dunga a fim de ampliar as ações e abarcar o futebol como atividade educativa. Parabéns!
Fiquei curiosa por saber mais sobre duas coisas:
1- Por que o nome "Futebol de Rua"? Vocês utilizam algum aspecto do futebol de rua na metodologia? Como é isso?
2- Vocês falam bastante em relações de gênero e tocam na questão de que 90% das meninas inscritas aderiram ao projeto. Poucos projetos de cunho educativo com crianças e adolescentes abordam a questão do gênero. O mais interessante é que no campo do futebol surgiram alguns projetos com esta preocupação, apesar de este ser um esporte com predominância masculina. Existe algum motivo específico para vocês tratarem desse assunto no projeto Futebol de Rua?
Veja os projetos: ‘Mujeres trabajando con la inclusión através del futbol’, ‘O Esporte Transformando a Vida das Meninas – 1ª Escolinha de Futebol Feminino de Natal/RN’, ‘Soccer Tournament for Ending GBV’, ‘Voe alto ... ASAS DO FUTEBOL’, ‘Futebol para Mulheres cegas’. Todos estes projetos envolvem as mulheres e abordam a questão das relações de poder estabelecidas pelas diferenças de gênero. Vocês podem trocar informações e pensarem em novas soluções!
Atenciosamente,
Vanuza Ramos
Coordenadora Desafio Nike Futebol
Changemakers da Ashoka
Oi, Vanuza obrigado pelo comentário, estou enviando respostas para os teus questionamentos.
1) Quanto a questão do por que do nome: FUTEBOL DE RUA:
O nome do projeto FUTEBOL DE RUA, vem da RED STRETFOOTBALLWORLD,(http://www.streetfootballworld.org) à qual somos membros, assim como, mais de 80 organizações de todo o mundo que utilizam o futebol como iniciativa para a transformação social de crianças e jovens. Nesse sentido, adotamos a metodologia do futebol de rua baseada nos três tempos onde: no primeiro tempo são feitos os combinados e estabelecidas as regras do jogo, no segundo,acontece o jogo com respeito ao que foi combinado e no terceiro a avaliação e reflexão da atividade. Todos os momentos são mediados por um educador, que acompanha o jogo e auxilia na resolução de conflitos, cumprimento das regras e avaliação.
Assim, com essa metodologia que também utiliza elementos trazidos das vivências e das realidades das crianças e jovens, incentivamos que levem essa metodologia para suas comunidades de uma forma mais ampla, fazendo com que estes, consigam gerenciar suas atividades também fora do projeto e mais que isso, que esta prática seja levada para as atividades de suas vidas, pois conviver e respeitar o outro, seja homem ou mulher, e sua opinião, suas habilidades, suas fragilidades, faz parte da realidade de todos e também vai de encontro com os objetivos do milênio traçados pela ONU em 2000, em relação a igualdade de gênero e a valorização da mulher. No FUTEBOL DE RUA jogam na mesma equipe meninos e meninas sem separação.
2)Quanto a questão de gênero gostaríamos de salientar o que segue:
O esporte pode ser uma ferramenta de inclusão e transformação, ou seja, ele pode quebrar barreiras culturais, indo muito além da prática, ele educa, pois não é o esporte pelo esporte e sim um momento de reflexão.
Não podemos falar em percentuais de aceitação feminina sem falar em violência contra a mulher e suas conseqüências na reprodução na sociedade.
Entendemos que ainda, vivemos em uma sociedade extremamente “machista”.
A violência contra a mulher ocorre em todos os países, em todos os grupos sociais, culturais, religiosos e econômicos. No nível social, a violência contra a mulher é mais comum em culturas em que os papéis de gênero são estritamente definidos e impostos; onde a masculinidade é associada à dureza, honra ou dominância masculina; onde a punição de mulheres e crianças é aceita; e onde a violência é a forma padrão para resolver conflitos. Embora o abuso ocorra em todos os níveis socio-econômicos, a pobreza e o estresse a ela associado contribuem para a violência por parte do parceiro.
Neste contexto nosso projeto está sendo desenvolvido, onde está questão é mais aparente, pois é cultural, ou seja, as mulheres são submissas e sofrem violência doméstica diariamente.
O esporte é uma ferramenta que muito pode contribuir para uma transformação cultural, pois quando os meninos aceitarem e respeitarem as meninas, compreendendo que elas têm os mesmos direitos que eles e que podem conviver com igualdade, vão deixar de reproduzir o comportando que está introjetado no gênero masculino “machista”, particularmente neste segmento da sociedade que não tem entendimento suficiente para mudar o que está posto.
Entendemos que quanto mais cedo estas crianças começarem a conviver junto, respeitando as diferenças de gêneros, mas podendo respeitar o outro como pessoa, independente do gênero, estaremos contribuindo para uma sociedade mais igualitária.
Conseqüentemente estes meninos irão multiplicar e reproduzir na família, na comunidade um novo olhar frente a este comportamento, ou seja, outra forma de convivência é possível.
Em termos globais, pelo menos uma a cada três mulheres sofre alguma forma de abuso baseado nas desigualdades de gênero durante suas vidas. A violência contra meninas e mulheres pode começar antes do nascimento e perdurar durante toda a vida até a velhice.
As mulheres relutam em discutir a violência, e podem aceitá-lo como parte de seu papel feminino. Mesmo presumindo que os dados atuais subestimem a prevalência da violência contra a mulher, milhões de meninas e mulheres em todo o mundo são submetidas à violência de gênero e sofrem suas conseqüências.
Por isso nosso projeto entende a importância dos nossos percentuais de aceitação das meninas, pois no momento que elas se sentem respeitadas pelos meninos e vice versa, a aceitação em interagir passa a ser muito relevante e contributiva para as mudanças propostas.
Espero ter contribuido para tuas dúvidas.
Atenciosamente,
Vera Starosta
Vera,
Mais que esclareceu! Muito boa a estratégia de combate às relações de poder e violência oriundas das diferenças de gênero. Este é um assunto em voga e, como você mesma pode verificar, temos alguns projetos pensando nisso, apesar de lidarem mais com jovens. Pensar em estratégias educativas nesse sentido já na infância é um grande começo!
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Oi, Vera!
Primeiro gostaria de agradecer por inscrever a ideia do projeto de vocês! Interessante a parceria estabelecida com o Instituto Dunga a fim de ampliar as ações e abarcar o futebol como atividade educativa. Parabéns!
Fiquei curiosa por saber mais sobre duas coisas:
1- Por que o nome "Futebol de Rua"? Vocês utilizam algum aspecto do futebol de rua na metodologia? Como é isso?
2- Vocês falam bastante em relações de gênero e tocam na questão de que 90% das meninas inscritas aderiram ao projeto. Poucos projetos de cunho educativo com crianças e adolescentes abordam a questão do gênero. O mais interessante é que no campo do futebol surgiram alguns projetos com esta preocupação, apesar de este ser um esporte com predominância masculina. Existe algum motivo específico para vocês tratarem desse assunto no projeto Futebol de Rua?
Veja os projetos: ‘Mujeres trabajando con la inclusión através del futbol’, ‘O Esporte Transformando a Vida das Meninas – 1ª Escolinha de Futebol Feminino de Natal/RN’, ‘Soccer Tournament for Ending GBV’, ‘Voe alto ... ASAS DO FUTEBOL’, ‘Futebol para Mulheres cegas’. Todos estes projetos envolvem as mulheres e abordam a questão das relações de poder estabelecidas pelas diferenças de gênero. Vocês podem trocar informações e pensarem em novas soluções!
Atenciosamente,
Vanuza Ramos
Coordenadora Desafio Nike Futebol
Changemakers da Ashoka
Oi, Vanuza obrigado pelo comentário, estou enviando respostas para os teus questionamentos.
1) Quanto a questão do por que do nome: FUTEBOL DE RUA:
O nome do projeto FUTEBOL DE RUA, vem da RED STRETFOOTBALLWORLD,(http://www.streetfootballworld.org) à qual somos membros, assim como, mais de 80 organizações de todo o mundo que utilizam o futebol como iniciativa para a transformação social de crianças e jovens. Nesse sentido, adotamos a metodologia do futebol de rua baseada nos três tempos onde: no primeiro tempo são feitos os combinados e estabelecidas as regras do jogo, no segundo,acontece o jogo com respeito ao que foi combinado e no terceiro a avaliação e reflexão da atividade. Todos os momentos são mediados por um educador, que acompanha o jogo e auxilia na resolução de conflitos, cumprimento das regras e avaliação.
Assim, com essa metodologia que também utiliza elementos trazidos das vivências e das realidades das crianças e jovens, incentivamos que levem essa metodologia para suas comunidades de uma forma mais ampla, fazendo com que estes, consigam gerenciar suas atividades também fora do projeto e mais que isso, que esta prática seja levada para as atividades de suas vidas, pois conviver e respeitar o outro, seja homem ou mulher, e sua opinião, suas habilidades, suas fragilidades, faz parte da realidade de todos e também vai de encontro com os objetivos do milênio traçados pela ONU em 2000, em relação a igualdade de gênero e a valorização da mulher. No FUTEBOL DE RUA jogam na mesma equipe meninos e meninas sem separação.
2)Quanto a questão de gênero gostaríamos de salientar o que segue:
O esporte pode ser uma ferramenta de inclusão e transformação, ou seja, ele pode quebrar barreiras culturais, indo muito além da prática, ele educa, pois não é o esporte pelo esporte e sim um momento de reflexão.
Não podemos falar em percentuais de aceitação feminina sem falar em violência contra a mulher e suas conseqüências na reprodução na sociedade.
Entendemos que ainda, vivemos em uma sociedade extremamente “machista”.
A violência contra a mulher ocorre em todos os países, em todos os grupos sociais, culturais, religiosos e econômicos. No nível social, a violência contra a mulher é mais comum em culturas em que os papéis de gênero são estritamente definidos e impostos; onde a masculinidade é associada à dureza, honra ou dominância masculina; onde a punição de mulheres e crianças é aceita; e onde a violência é a forma padrão para resolver conflitos. Embora o abuso ocorra em todos os níveis socio-econômicos, a pobreza e o estresse a ela associado contribuem para a violência por parte do parceiro.
Neste contexto nosso projeto está sendo desenvolvido, onde está questão é mais aparente, pois é cultural, ou seja, as mulheres são submissas e sofrem violência doméstica diariamente.
O esporte é uma ferramenta que muito pode contribuir para uma transformação cultural, pois quando os meninos aceitarem e respeitarem as meninas, compreendendo que elas têm os mesmos direitos que eles e que podem conviver com igualdade, vão deixar de reproduzir o comportando que está introjetado no gênero masculino “machista”, particularmente neste segmento da sociedade que não tem entendimento suficiente para mudar o que está posto.
Entendemos que quanto mais cedo estas crianças começarem a conviver junto, respeitando as diferenças de gêneros, mas podendo respeitar o outro como pessoa, independente do gênero, estaremos contribuindo para uma sociedade mais igualitária.
Conseqüentemente estes meninos irão multiplicar e reproduzir na família, na comunidade um novo olhar frente a este comportamento, ou seja, outra forma de convivência é possível.
Em termos globais, pelo menos uma a cada três mulheres sofre alguma forma de abuso baseado nas desigualdades de gênero durante suas vidas. A violência contra meninas e mulheres pode começar antes do nascimento e perdurar durante toda a vida até a velhice.
As mulheres relutam em discutir a violência, e podem aceitá-lo como parte de seu papel feminino. Mesmo presumindo que os dados atuais subestimem a prevalência da violência contra a mulher, milhões de meninas e mulheres em todo o mundo são submetidas à violência de gênero e sofrem suas conseqüências.
Por isso nosso projeto entende a importância dos nossos percentuais de aceitação das meninas, pois no momento que elas se sentem respeitadas pelos meninos e vice versa, a aceitação em interagir passa a ser muito relevante e contributiva para as mudanças propostas.
Espero ter contribuido para tuas dúvidas.
Atenciosamente,
Vera Starosta
Vera,
Mais que esclareceu! Muito boa a estratégia de combate às relações de poder e violência oriundas das diferenças de gênero. Este é um assunto em voga e, como você mesma pode verificar, temos alguns projetos pensando nisso, apesar de lidarem mais com jovens. Pensar em estratégias educativas nesse sentido já na infância é um grande começo!
Obrigada,
Vanuza
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