Paz em casa, paz no mundo
O Paz em casa, paz no mundo oferece a sociedade ações articuladas que abrem várias frentes de enfrentamento à violência intrafamiliar e de gênero. A violência é um fenômeno complexo, tem múltiplas causas. Para sua interrupção precisamos buscar e aprimorar metodologias para lidar com as situações existentes, problematizar junto à população os comportamentos que consideramos como violência e que hoje são vistos como próprios às interações familiares, capacitar profissionais que lidam com os casos de violência, como os de saúde, assistência social, operadores do direito e de segurança pública, capacitar pessoas de referência nas comunidades para encaminhar os envolvidos aos serviços pertinentes, buscar articular esses serviços para evitar revitimizações e aprimorar o uso dos recursos públicos em benefício da população. Nossa diferenciação está no olhar sistêmico do problema e, neste sentido: inclui a atenção aos autores de violência e não só às vítimas; considera a conexão existente entre a violência cometida contra as mulheres e a cometida contra crianças, adolescentes e idosos na família; envolve as comunidades, rompendo com a cultura de que a violência cometida dentro de casa é um tema unicamente privado, e busca integrar as ações de saúde, assistência social e as de garantia de direitos.
Sobre você
1) Sobre você
Primeiro nome
Carlos Eduardo
Sobrenome
Zuma
Página na internet
Organização
Instituto Noos
País
Brazil, RJ
2) Sobre a sua organização
Sua inovação/iniciativa está vinculada a uma organização estabelecida?
Sim
Nome da organização
Instituto Noos
Página da organização na internet
Telefone da organização
+55 21 21971500
Endereço da organização
Rua Álvares Borgerth, 27
País da organização
Brazil, RJ
Sua organização é
OSC/ONG
Há quanto tempo foi fundada a sua organização?
Há mais de 5 anos
Sobre a sua ideia
Título da sua inovação
Paz em casa, paz no mundo
Em que fase está a sua inovação?
Em execução por mais de 5 anos
Quando o projeto teve início ou para quando está previsto que inicie?
As primeiras ações do projeto ocorreram em 1999 com o início da realização de grupos reflexivos de gênero com homens autores de violência contra mulheres. Neste mesmo ano participamos de alguns eventos de sensibilização sobre o tema da violência e da violência intrafamiliar e de gênero, voltados para profissionais das áreas de saúde, direitos humanos e segurança pública. Promovemos, junto com parceiros, o seminário "Respondendo à Violência Intrafamiliar e de Gênero: reflexões e propostas de trabalho com o parceiro masculino", onde fizemos o pré-lançamento da Campanha Brasileira do Laço Branco, iniciada no Canadá, e que hoje é a principal ação da Rede de Homens por Equidade de Gênero, da qual somos integrantes, que reúne diferentes organizações, grupos de pesquisa e entidades de cinco capitais de estados brasileiros. No ano seguinte iniciamos um serviço de terapia de casal e família específico para situações de violência intrafamiliar e de gênero. Em 2002 iniciamos os grupos reflexivos de gênero com mulheres que vivem ou viveram situação de violência intrafamiliar e de gênero. Em 2004 esse conjunto de ações foi articulado em um projeto batizado de Paz em casa, paz no mundo.
Descreva a sua ideia e explique o que a torna inovadora
O Paz em casa, paz no mundo oferece a sociedade ações articuladas que abrem várias frentes de enfrentamento à violência intrafamiliar e de gênero. A violência é um fenômeno complexo, tem múltiplas causas. Para sua interrupção precisamos buscar e aprimorar metodologias para lidar com as situações existentes, problematizar junto à população os comportamentos que consideramos como violência e que hoje são vistos como próprios às interações familiares, capacitar profissionais que lidam com os casos de violência, como os de saúde, assistência social, operadores do direito e de segurança pública, capacitar pessoas de referência nas comunidades para encaminhar os envolvidos aos serviços pertinentes, buscar articular esses serviços para evitar revitimizações e aprimorar o uso dos recursos públicos em benefício da população. Nossa diferenciação está no olhar sistêmico do problema e, neste sentido: inclui a atenção aos autores de violência e não só às vítimas; considera a conexão existente entre a violência cometida contra as mulheres e a cometida contra crianças, adolescentes e idosos na família; envolve as comunidades, rompendo com a cultura de que a violência cometida dentro de casa é um tema unicamente privado, e busca integrar as ações de saúde, assistência social e as de garantia de direitos.
A qual tipo de público se destina a sua iniciativa?
Sociedade em geral.
Descreva o perfil do público alvo do projeto.
Cada uma das ações tem um público diferenciado. As ações de atenção direta têm como público os homens, as mulheres e as famílias envolvidos em situação de violência intrafamiliar e de gênero. As ações de sensibilização são dirigidas à população em geral, através de outras ONGs, associações de moradores, outras organizações sociais e o público de projetos pontuais do governo municipal; bem como aos profissionais das áreas de saúde, assistência social, operadores do direito, segurança, justiça e jornalistas. As capacitações são voltadas para profissionais de saúde, assistência social e sociologia ou para pessoas de referência de comunidades e de organizações sociais. Para este ano, as metas do projeto são:
• Estabelecer parcerias estratégicas com instituições que cuidam do atendimento a mulheres e homens em situações de violência, com vistas a oferecer treinamento para facilitadores de grupo de gênero;
• Formar 60 facilitadores de grupos reflexivos de gênero;
• Prover atendimento a 72 mulheres através de 6 grupos reflexivos de gênero;
• Prover atendimento a 72 homens através de 6 grupos reflexivos de gênero;
• Sensibilizar 880 pessoas através de 44 oficinas sobre violência intrafamiliar e de gênero;
• Atender 30 famílias necessitadas de tratamento de terapia de família ou casal, atingindo a um total de 96 pessoas (3,2 pessoas por família).
Qual é a estratégia de implementação da sua iniciativa?
O projeto visa desenvolver um modelo replicável de atuação na prevenção primária e terciária da violência intrafamiliar e de gênero, sistematizando a experiência de mais de 10 anos da instituição na execução de atividades nesta área. Nele estão previstas atividades de prevenção primária, como as oficinas de sensibilização sobre o tema e atividades de prevenção terciária que envolvem a realização de grupos reflexivos de gênero com mulheres, grupos reflexivos de gênero com homens e o atendimento de casais e famílias que vivem este tipo de situação em suas relações. Contempla também a realização de um curso para a formação de facilitadores de grupos reflexivos de gênero, atendendo a demanda surgida a partir da Lei Maria da Penha, e a publicação de um manual com a sistematização da experiência.
Qual, na sua opinião, é a principal dificuldade ou barreira enfrentada em relação a essa temática?
A principal barreira é a cultural, pois em muitas situações o que hoje entendemos como um comportamento violento é visto como algo “natural” e próprio das interações familiares ou como forma de “educar” e “disciplinar” as pessoas. Desconstruir as expectativas sociais sobre o comportamento de homens e mulheres requer um esforço conjunto de várias instâncias da sociedade. Outra barreira é a costumeira dicotomização da população entre vítimas e algozes. Entendemos que um ato de violência tem claramente uma vítima e um algoz. Essa vítima precisa ser cuidada e protegida e o algoz precisa ser responsabilizado por sua atitude. Mas a dinâmica relacional que torna este ato de violência possível está contextualizada na cultura patriarcal e machista em que toda a sociedade está imersa, homens e mulheres. Todos nós, no decorrer da vida, podemos ser vítimas e algozes em diferentes momentos. Reconhecer a extrema predominância numérica da violência física cometida contra as mulheres em nossa sociedade não é contraditório com a visão de que a sociedade precisa mudar como um todo e não só os homens, como principais autores de violência física. Romper com uma visão simplificadora sobre essa problemática consiste no maior desafio aos que se debruçam sobre o tema.
Quais tipos de instituições você tem ou prevê ter parcerias estratégicas para o desenvolvimento da sua iniciativa? Indique todas as opções correspondentes.
Entidades públicas, Organizações Não Governamentais, Outros.
Descreva com quem você já construiu parcerias e de que forma.
A articulação com outras entidades da sociedade civil organizada, com os governos nos seus três níveis de execução: federal, estadual e municipal, com o poder judiciário e com empresas e fundações privadas faz parte das ações da instituição em sua estratégia de interromper e prevenir a violência intrafamiliar e de gênero. O Instituto Noos hoje integra o Comitê Gestor da Rede de Homens por Equidade de Gênero (RHEG), a Secretaria Executiva da Rede Não Bata, Eduque e tem assento na Comissão Municipal de Enfrentamento à Violência Sexual de Crianças e Adolescentes e participamos da Rede Local de entidades de nossa área municipal. Temos parcerias estabelecidas com juizados, com o CREAS de referência de nossa área e com outras ONGs e, para execução de nossos projetos, recebemos financiamento e suporte de serviços de fundações e empresas privadas.
Quais são os principais resultados até o momento e/ou quais resultados você espera criar com essa iniciativa?
Durante os últimos anos nosso modelo de atuação vem amadurecendo através de diversas atividades e projetos. De 2001 a 2008 o Instituto Noos beneficiou a população brasileira direta e indiretamente através de:
• 84 famílias atendidas em Terapia de Família de 2002 a 2008;
• 177 mulheres atendidas nos grupos reflexivos de gênero de 2002 a 2008;
• 257 homens atendidos nos grupos reflexivos de gênero de 2002 a 2008;
• 1531 pessoas diretamente sensibilizadas;
• 1844 pessoas diretamente capacitadas em metodologias de atenção direta.
• Diversas pesquisas realizadas e publicações referentes ao tema.
Qual você acredita ser o principal impacto que a sua iniciativa poderá gerar?
Todas as atividades propostas no projeto Paz em casa, paz no mundo estão diretamente relacionadas com a perspectiva de prevenção à violência intrafamiliar e de gênero. O Instituto Noos, baseia-se na concepção da Violência Intrafamiliar e de Gênero como um ciclo que se retroalimenta a partir de relações assimétricas de poder, fundamentadas em valores culturais. As metodologias de atenção, como o atendimento de casal e família e os grupos reflexivos de gênero, buscam trazer novos recursos para a construção de relações familiares mais eqüitativas, onde a violência não se constitua como método preferencial na solução de conflitos. Tais metodologias de atenção podem se constituir em política pública de prevenção terciária. A sistematização da metodologia empregada pelo projeto e sua posterior publicação poderá influenciar na constituição de novos serviços ou a reformulação e o aprimoramento de serviços já existentes.
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