
Em 14 de janeiro, líderes das áreas de empreendedorismo e negócios sociais, tecnologia, academia e entretenimento vão se reunir na Pixar Animation Studios para debater estratégias efetivas para a resolução dos mais críticos desafios sociais e econômicos da atualidade. Entre eles estarão Marissa Mayer, vice presidente do Google; Steve Case, fundador da AOL e da Fundação The Case; Tim Brown, CEO da IDEO; Diana Wells, presidente da Ashoka, e Ben Wald, diretor executivo do Changemakers.
O evento, chamado “The Intersection”, fará um mash-up com 14 “líderes da inovação” dos setores social e empresarial, explorando as principais tendências sobre criatividade individual, inovação organizacional e de equipes e impacto social.
Na entrevista abaixo, Ben Wald, do Changemakers, fala sobre o que ele espera do evento – e o que mais o motiva sobre este encontro.
Changemakers: O que podemos aprender com esses pensadores, uma vez que eles têm a inovação como um orientador do desempenho da organização e de seus esforços filantrópicos?
Wald: Vivemos em um mundo de mudanças e desenvolvimento jamais vistos antes, então é importante e crítico que tenhamos pessoas que conectem e garantam que novas soluções positivas tenham lugar no mundo. O problema não está relacionado à existência de tecnologia ou se o mundo tem inovadores suficientes, mas como garantir que o consumidor adote a ideia e a solução seja sustentável.
Não é uma questão de despejar dinheiro no problema, mas atentar-se às necessidades dos inovadores sociais e avançar no desenvolvimento da solução e respectiva experiência do usuário. Como distintos campos começam a trabalhar juntos, com mais frequência, veremos um processo acelerado de transformação.
Changemakers: Três anos atrás você foi nomeado como um dos 25 jovens líderes empreendedores da Business Week depois que angariou mais de 5 milhões de dólares em capital semente para uma nova empresa de software para a educação. Você continua como conselheiro ativo e investidor em empresas de tecnologia que estão em fase inicial. Você também dirigiu duas companhias – uma de desenvolvimento de software e consultoria e outra focada em desenvolvimento de aplicativos para celulares. Fale para nós como é ter a experiência do mundo dos negócios e outra na Ashoka, uma organização líder do setor social, na qual você lidera uma iniciativa que objetiva acelerar o crescimento de empreendedores sociais?
Wald: É divertido e a fronteira entre meu trabalho como empreendedor social e empreendedor empresarial cada vez mais se torna menos nítida – a ponto de eu achar que logo não haverá distinção entre uma e outra. Vindo de um jogo do setor privado no qual você faz o que for preciso para colocar mais zeros em uma conta bancária, é muito mais satisfatório perguntar a mim mesmo qual o impacto eu posso obter através do meu negócio. E acho que há um entendimento equivocado de que a mudança social acontece às custas do lucro.
Changemakers: Você luta contra o conceito de que a transformação social não pode ter lucro.
Wald: Correto. Dentro da esfera do impacto social, sua empresa deve ter uma missão social, mas não quer dizer que ter lucro é ruim ou secundário. Há muitas organizações que não adotam o modelo com lucro, mas há muitos negócios que fazem isso.
Uma das coisas que aprendi nos últimos anos é sobre quantas oportunidades existem para criar impacto neste mundo de rápidas mudanças – existe um número maior de oportunidades do que de pessoas que sabem o que fazer com elas. E o mais importante: há uma força real para repensar os modelos corporativos atuais para identificar melhores oportunidades onde eles podem obter impacto social.
A intersecção do futuro pode estar aí. Investimento financeiro favorecendo o empreendedor.
Changemakers: A nova ideia empreendedora na qual você aposta se chama Open Growth (Crescimento Aberto). O que você quer dizer com isso?
Wald: Open Growth tem como base princípios de transparência e abertura radical, além de criar um espaço que apoia o lançamento e evolução de ideias inovadoras. É uma plataforma de trabalho onde as pessoas podem acompanhar seu crescimento e solicitar recursos de que precisam de forma transparente – pode ser capital para fase inicial ou competências específicas.
O setor público tem uma necessidade real de conectar e ativar suas redes. Definitivamente existe competição no setor social, mas o que eu descobri é que muitas organizações estão dispostas a formar parcerias caso suas missões estejam alinhadas — a grande questão agora não é necessariamente se as organizações estão abertas para as colaborações, mas encontrar o parceiro certo para realizá-las.
Open Growth pode ser uma plataforma para gerar impacto coletivo. Quanto mais alavancarmos organizações existentes no campo da transformação social, maior será o impacto.
Nossa meta com o Open Growth não é se tornar o rei da montanha; estamos tentando planejar como será essa montanha. Nós não queremos nos apropriar das comunidades em todo o mundo, mas estamos tentando oferecer uma ferramenta que as pessoas possam usar para melhor se conectar e interagir com suas comunidades.
Changemakers: Então, o que será alcançado através do Open Growth? Aonde isso vai nos levar?
Wald: Ao que é necessário para criar um setor cidadão verdadeiramente desafiador, no qual as organizações sociais reconhecem seu verdadeiro valor. Para o bem ou para o mal, há muito menos orgulho e ego no campo social - não estou certo para qual dos dois exatamente. Com reconhecimento de valor, haverá maior acesso aos recursos de que empreendimentos sociais precisam para ter escala e não apenas para sobreviver.
Eu vejo um cenário muito promissor nesse sentido. Estamos nos tornando mais conscientes ambiental e socialmente. Acho que as pessoas estão começando a colocar mais valor no fato de estarem mais abertas, procurando maneiras de fazer a diferença para o resto do mundo. À medida que continuarmos a ampliar o nosso foco como sociedade global, estaremos criando uma demanda muito maior para as organizações que estão trabalhando com missões sociais muito claras. E isso é uma coisa boa.
Para se inspirar mais com Ben Wald e outros líderes inovadores, inscreva-se no The Intersection Event 2012—restam apenas 75 lugares!


Comments