#EmpreendeRio20: Cidades Sustentáveis

 

 

O último painel do Fórum de Empreendedorismo Social na Nova Economia, “Cidades Sustentáveis – Oportunidades para Empreendedores Sociais”, reuniu pessoas incríveis para discutir o papel e a importância das cidades no desenvolvimento sustentável, e como cada um de nós pode se mobilizar para contribuir com ele.

Quem abriu o debate foi Oded Grajew, do Instituto Ethos, que começou explicando o motivo do título do painel: “o jogo da sustentabilidade vai acontecer nas cidades”. Afinal, a maioria da população mundial já se concentra nas cidades, e este número só promete crescer daqui pra frente.

Ele foi seguido pela exposição de algumas experiências interessantíssimas que já mostraram resultados positivos. Eliana Santos contou sobre a sua experiência criando o movimento Redes da Maré junto com outros moradores da maior favela do Rio (em população) para repensar o acesso a direitos básicos. Eles tiveram diversos avanços no acesso a estes direitos, mas Eliana aponta que “só o acesso não se sustenta com o tempo”. Seu principal desafio é mobilizar a população para que percebam a importância destes direitos – não adianta ter escolas de ponta disponíveis se a população não valoriza a educação e não pretende assistir às aulas.

Outra experiência foi compartilhada por Luis França, fundador do Movimento Nossa Zona Leste, que já realizou diversas conquistas na Zona Leste da cidade de São Paulo. Luis apontou que, embora já contassem com uma forte tradição de mobilização social, eles foram apresentados pela Rede Nossa São Paulo a uma ferramenta que antes desconheciam: os indicadores. Segundo ele, “os números são fundamentais para reivindicarmos nossos direitos”, e é de extrema importância que, através deles, a população participe na criação de metas e pressione os políticos.

Claudia Bustamante, do Nueva Región Cómo Vamos (Chile), destacou a importância do que chamou de “Cidadania 2.0”, movimentos que apresentam propostas de transformação e mobilizam os setores público e privado, para que fomentem a corresponsabilidade do bem público ao cidadão. Ela disse, porém, que as autoridades ainda os veem como ameaça, e tem dificuldades em trabalhar junto da sociedade.

Javier Maroto, prefeito de Vitoria-Gasteiz (Espanha), dividiu com a plateia o processo que fez a sua cidade ganhar o título de Capital Verde Europeia 2012. Segundo ele, os principais fatores responsáveis pelo sucesso de Vitoria foram: a unidade de ação dos políticos em longo prazo, e a conscientização dos cidadãos. Um decreto sozinho não é o suficiente - em Vitoria os cidadãos tem vontade de ser sustentáveis, e têm acesso a informações e a indicadores.

Ele também apontou a importância do protagonismo das cidades no desenvolvimento sustentável, em contraste com as decisões tomadas em órgãos supranacionais. Afinal, quem melhor do que as cidades para levar em conta suas reais necessidades na tomada de decisão?

O painel foi encerrado com chave de ouro pelo professor Boaventura de Sousa Santos, da Universidade de Coimbra (Portugal), que arrancou energizados aplausos ao expor diversas reflexões sobre a sociedade atual. Segundo ele, a “obsessão do crescimento infinito e consumo insustentável” é a principal barreira ao desenvolvimento sustentável. 

Ele apontou também a necessidade de políticas e políticos sustentáveis, e a de criarmos o que chamou de “tempos lentos”: tempos para a interação em espaço público, para discutir sobre temáticas atuais, e que possam conviver com o “tempo rápido do trabalho”. Boaventura terminou falando sobre o papel das cidades em fazer com que tantas pessoas que não se conhecem possam viver juntas. Sob esse prisma, as cidades são o bem comum da sociedade humana. Por isso, as pessoas precisam ser envolvidas. “Não há cidade sustentável sem envolvimento sustentável”, enfatizou.

 

Artigo escrito por Michelle Fidelholc

 

 

 

 

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