Adaptação às Mudanças Climáticas para Convivência com o Semiárido

Promove o desenvolvimento da agricultura familiar, a partir do encontro de saberes locais que permite aos agricultores e agricultoras mergulharem na realidade onde estão inseridos e, conhecerem os potenciais e limites da região, como subsídio para criação e inovação de tecnologias sociais que possibilitam às famílias condições para melhor adaptar-se a realidade local, com melhores condições de convivência com a realidade semiárida, gerando vida sustentável.

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Sobre Sua Organização

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Centro de Educação Popular e Formação Social - CEPFS

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País da organização

Brasil

Países onde este projeto vem gerando impacto social

Brasil

Sua organização é

OSCIP/ONG

Há quanto tempo sua organização está em operação?

Mais de 5 anos

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INOVAÇÃO

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Nome Projeto/Inovação

Adaptação às Mudanças Climáticas para Convivência com o Semiárido

Qual a mudança que você quer trazer para o mundo?

Promove o desenvolvimento da agricultura familiar, a partir do encontro de saberes locais que permite aos agricultores e agricultoras mergulharem na realidade onde estão inseridos e, conhecerem os potenciais e limites da região, como subsídio para criação e inovação de tecnologias sociais que possibilitam às famílias condições para melhor adaptar-se a realidade local, com melhores condições de convivência com a realidade semiárida, gerando vida sustentável.

Quais são as principais atividades do seu projeto?

A organização tem, ao logo de sua trajetória, desenvolvido um extenso cardápio de tecnologias sociais para o desenvolvimento humano. Seu foco é a eficiência no gerenciamento de recursos naturais, em pequenas propriedades, com atividades focadas na agricultura familiar. Seu trabalho consiste em aliar formação e mobilização social (organização e articulação comunitária) com a produção e difusão de soluções inovadoras e de baixo custo em áreas como manejo hídrico e agroecologia. O CEPFS possui uma área experimental onde desenvolve as tecnologias sociais, sempre com ampla participação das famílias que serão beneficiadas, a partir do encontro de saberes. Depois, leva as tecnologias desenvolvidas para as comunidades e trabalha sua ambientação e implementação junto com os atores locais. Em uma etapa fundamental para a sustentabilidade, o CEPFS assessora as instâncias organizativas das comunidades na implantação de mecanismos de governança coletiva e o principal exemplo são os fundos rotativos solidários. O CEPFS atende, hoje, a 5.670 agricultores familiares de 39 comunidades, nos municípios de Teixeira, Maturéia, Desterro, Cacimbas e Princesa Isabel, na Paraíba. O CEPFS, desse modo, possui um portfólio com diversas soluções desenvolvidas, que foram difundidas e aperfeiçoadas nas comunidades dos territórios em que trabalha e que podem integrar estratégias de maior prazo para o desenvolvimento local em outros territórios, não apenas na Paraíba, mas em todo o semiárido nordestino, em outras partes do Brasil e do Mundo.

O que é inovador sobre a seu projeto? De que forma ele é uma nova contribuição para esse campo de atuação?

O enfoque metodológico provoca nos participantes um comportamento pró-ativo, visando aumentar a representatividade nas políticas públicas e programas de investimento através do desenvolvimento de capacidades políticas e da formação de lideranças nas comunidades rurais, conciliando ações formativas com ações estruturadoras nas propriedades da agricultura familiar. São desenvolvidas cisternas de placa adequadas às especificidades físicas e climáticas dos territórios, sistemas de bombeamento adequados para inclusão de toda família no processo de gerenciamento das estruturas (bomba aro-trampolim), sistemas de captação de água de chuva em margens de estradas, tanques de lajedo, sistemas de aumento de eficiência na irrigação, sistemas de qualificação da água para consumo humano e dispositivos para redução do desperdício no uso da água na produção (cisternas com sistemas de boias para lavagem do telhado). Formação técnica das famílias para implantação e gestão das tecnologias. Isso significa produzir e difundir tecnologias e estratégias viáveis e efetivas para convivência com a realidade ambiental do semiárido, criando oportunidades e gerando soluções para os desafios próprios da região para que as populações locais possam se desenvolver sem precisar migrar para outros territórios. O negócio social não envolve apenas o retorno financeiro. Existe uma valorização, acima de tudo, humana.

Em que estágio está seu projeto?

Em execução por mais de 5 anos

Conte-nos sobre a comunidade em que atua. Por exemplo, as condições econômicas, as estruturas políticas, normas e valores, as tendências demográficas, história e experiência com as tentativas de mobilização.

O Estado da Paraíba é um dos mais pobres do Nordeste e, nas últimas décadas, sofreu uma rápida urbanização e um intenso fluxo migratório da zona rural para a zona urbana. (71% da população vive em área urbana e 29% a zona rural). A agricultura vem sofrendo crises e desafios para além dos impostos pelo clima semiárido como, por exemplo, a crise da produção de sisal e algodão devido ao uso em larga escala de produtos sintéticos e também a incidência de pragas (Marx Barbosa Prestes),
O Semiárido Paraibano tem 170 municípios e uma área territorial de 48.785,33 Km2, (correspondendo a 86,22% do território do Estado) e uma população de 1.971.298 habitantes (correspondendo a 57,24% da população do Estado). Segundo relatório da UNICEF (2005) 70% das crianças paraibanas estão em famílias com renda mensal de R$ 150,00. Estudos apontam que o processo de desertificação no Estado pode abranger cerca de 70% de seu território. 49% da população rural usa lenha para cozinhar e, 70% dos agricultores e agricultoras não acreditam nas previsões.
As ações do CEPFS estão voltadas para famílias de agricultores familiares. A maioria possui pequenas áreas de terra que varia entre 02 à 08 ha e renda familiar em torno de R$ 90,00/mês. Os produtos oriundos da agricultura, em grande parte, quando há colheita, são destinados à alimentação, apenas uma pequena parte, denominada de excedente, é vendida para cobrir algumas outras necessidades das famílias. A água para o consumo humano e também para os gastos da casa é de responsabilidade da mulher, que em períodos de estiagens chegam a percorrer entre 08 a 10 km para poder conseguir encontrar água, geralmente, de péssima qualidade.

Compartilhe a história do(a) fundador(a) e o que o(a) inspirou a iniciar este projeto

Como filho de agricultores, da agricultura familiar, desprovidos de condições financeiras e de acesso ao crédito experimentou a triste situação em que as famílias viviam no semiárido devido a fragilidade na infra-estrutura das propriedades para adaptar-se as mudanças climáticas. Mas, também teve a oportunidade de viver e ser parte de expressões de solidariedade, praticadas pelas famílias, na medida em que, com a ajuda de amigos conseguiu concluir um curso de nível superior, algo que, na época, era quase impraticável por filhos de agricultores. Articulou-se com outros estudantes que participava de uma associação universitária e fundou a organização para promover os agricultores, a partir do encontro de saberes locais, a criarem e inovarem tecnologias sociais que permitisse às famílias melhor adaptar-se a realidade local, com melhores condições de convivência com a realidade semiárida, gerando vida sustentável. No ano de 2007 passou por um processo de seleção e, em julho de 2008, entrou para a rede de empreendedores sociais da Ashoka visando dar maior visibilidade ao que vinha desenvolvendo e continuar qualificando os potenciais locais a partir do encontro dos saberes locais como suporte para desenvolvimento de tecnologias sociais que possam mudar a realidade social local e global de forma sustentável.

IMPACTO SOCIAL

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Por favor, descreva como o projeto tem sido bem sucedido e como esse sucesso é medido.

5.670 pessoas com capacidade para armazenar, aproximadamente 15.120.000 litros de água potável, através da construção de 945cisternas; construção de 199 cisternas com apoio direto dos Fundos Rotativos Solidários permitindo o armazenamento de 3.184.000 litros de água potável; Mobilização e formação de 505 homens e 386 mulheres para o controle de políticas públicas governamentais; Criação de 23 bancos de sementes comunitários com capacidade de armazenamento de 25.922 toneladas; Incentivo ao reflorestamento e recuperação de áreas degradadas ambientalmente através da produção de 6.500 mudas (frutíferas e florestais); Construção de 37 cisternas com a tecnologia social sistema de bóia para lavagem do telhado, experiência que melhora a potabilidade da água para o consumo humano; Implantação de 02 unidades de beneficiamento de fruta nativa, através da extração de polpa, beneficiando 10 famílias e um total de 60 pessoas - aumento médio de 25% na renda das famílias beneficiadas diretamente; 100% das famílias beneficiadas estão adotando novas práticas de manejo dos recursos naturais a partir do processo educativo impulsionado pela tecnologia social; redução do desperdiço de frutas em 100% das famílias beneficiadas diretamente com a tecnologia social. Hoje só se perde as frutas danificadas (bicadas pelos pássaros) ou que não conseguem serem colhidas; aumento na renda de 25 famílias das comunidades beneficiadas e adjacências através da compra da sua produção(frutas). O projeto trabalhou diretamente, no ano de 2010 com 1.642 pessoas, integrantes de famílias de agricultores e agricultoras. Desde sua criação, beneficiou 47.819 pessoas em 05 municípios: Teixeira, Maturéia, Desterro, Cacimbas e Princesa Isabel. São 39 comunidades, com cerca de 1.200 famílias, todas trabalhando com a dinâmica de Fundo Rotativo Solidário.

Quantas pessoas foram impactadas por seu projeto?

> 10.000

Quantas pessoas poderão ser impactadas por seu projeto nos próximos três anos?

1,001-10,000

Como seu projeto se expandirá ao longo dos próximos três anos?

Tecnologias inovadoras já desenvolvidas, a exemplo do sistema de boia para lavagem do telhado, a bomba d’água aro trampolim e a bomba d’água trampolim, tem na área geográfica de atuação da organização um vasto público a ser beneficiado. São tecnologias sociais que podem ser acopladas as cisternas que as famílias já possuem para facilitar o processo de manejo da água de chuva para o consumo humano. Para expansão para novos setores, a estratégia é compartilhar, ao máximo, o que já vem sendo desenvolvido visando criar oportunidades com novos púbicos e, também, atrair novos parceiros financiadores.

SUSTENTABILIDADE

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Quais são as barreiras que podem dificultar o sucesso de seu projeto e como pretende superá-las?

As principais barreiras são de ordem financeira; comunicação para dar visibilidade da experiência e capacitação de mão de obra para o desenvolvimento das tecnologias com inovação social, em escala. Entretanto, é perceptível que a barreira maior é de ordem financeira, pois as demais poderão ser supridas na medida em que se obter apoio para o desenvolvimento da comunicação, mobilização e formação de pessoal para o desenvolvimento das tecnologias sociais. Para tanto está sendo planejado um portfólio com a experiência visando o desenvolvimento de marketing, junto à sociedade civil, governo e empresariado no sentido de sensibilizar e atrair novos parceiros financiadores.

Por favor, explique de que forma o estabelecimento de parcerias é importante para o sucesso de sua inovação

Elas garantem a complementaridade dos processos. Toda iniciativa deve ser considerada processual e, dificilmente uma só organização, por mais completo que sejam os produtos ofertados consegue cobrir todas as demandas sociais, portanto há necessidade de complementaridade. Outro relevância está na otimização dos recursos financeiros e humanos com vistas ao atendimento das necessidades dos participantes. Por exemplo, ações na área de recursos hídricos, focada no atendimento das necessidades de consumo humano, mesmo abordando a parte educativa nas oficinas ou cursos de manejo da água, há necessidade de que esses conteúdos tenham continuidade; possam ser trabalhados, de forma continuada pelos seguimentos: saúde, educação das municipalidades, dos estados e da união, espaços esses que dialogam, com a população, com as crianças, com os jovens, etc. Portanto podem assumir papel preponderante no processo de educação para que as tecnologias possam ser assumidas pelas famílias beneficiarias como componente de desenvolvimento local. Outro exemplo importante: o papel que representa as associações comunitárias no processo de mobilização social das famílias beneficiárias. Se a organização tivesse que desenvolver todos os processos o custo financeiro ficaria muito alto, tornando inviável a execução das ações ou em último caso diminuindo significativamente o número de famílias beneficiadas diretamente.

Orçamento anual atual do projeto em US$:

$100.000‐250.000

Detalhe as suas escolhas acima

A organização, ainda, é bastante dependente do apoio financeiro de parceiros externos. As famílias, através da devolução para os fundos rotativos solidários assumem um papel importante no processo de sustentabilidade. Os recursos movimentados pelos Fundos, são geridos pelas próprias comunidades, portanto, os recursos, em relação ao orçamento da organização são considerados intermediários, ou seja, são parte do projeto; faz com que parte das ações se desenvolva, mas, a gestão é feita pelas próprias comunidades. Os dados sistematizados em relação a esse componente dão conta de que no período de 2003 a 2010 foram movimentados um valor de R$ 338.294,31, oriundo de 34 comunidades e 837 famílias participantes. Com essa movimentação, setenta e sete tipos de necessidades receberam apoio financeiro, numa dinâmica de gestão flexível, que permite que as prioridades sejam eleitas pelo público contribuinte ou depositário dos Fundos. A outra parte de manutenção das ações da experiência vem de ONG,s internacionais (Trócaire da Irlanda) e de Fundações, também, internacional, por exemplo IAF Inter-American Foundation – Estados Unidos, BrazilFoundation com escritório no Rio de Janeiro, mas, recursos são recursos captados nos Estados Unidos.

De que forma você planeja fortalecer financeiramente seu projeto ao longo dos próximos três anos?

A busca por novos parceiros será uma das metas dos próximos três anos. Espera-se conquistar a cada ano um novo parceiro de modo que ao final dos próximos três anos se tenha três novos parceiros. Com o governo há um grande limite do ponto de vista de legislação. A legislação governamental foi pensada para uma relação de governo para governo, portanto, relação com a sociedade civil (terceiro setor) ainda é complexa. Entretanto avalia-se como um potencial parceiro e, portanto, que deve ser priorizado pela organização em termos de articulação para futuras parcerias. Outro seguimento importante para parcerias são as empresas, entretanto poucas iniciativas têm sido desenvolvidas, devido a limites da organização do ponto de vista de negociador com expertise na área. Há, no entanto, uma iniciativa voltada para o planejamento de um portfólio com o resumo das ações desenvolvidas pela organização para ser divulgado junto às empresas privadas e a sociedade civil a fim de atrair novos parceiros que possam culminar com o fortalecimento financeiro da experiência permitindo, inclusive sua expansão para outras regiões.
A estratégia principal estará focada na divulgação dos resultados e impactos das ações já desenvolvidas de modo a sensibilizar novos e importantes seguimentos da cooperação para o desenvolvimento local, destacando que as experiências que vem sendo desenvolvidas são fundamentais para a adaptação das famílias da região semiárida às mudanças climáticas o que poderá evitar que a região venha a se tornar uma região árida.

Desafios

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Em quais obstáculos ao emprego e trabalho o seu projeto atua?
Por favor, selecionar até três por ordem de relevância para seu projeto (maior relevância recebe um "1" e a menor, "3").

Primeiro

Ausência de eficácia

SEGUNDO

Ausência de capacitação / formação

TERCEIRO

Ausência de visibilidade e investimento

Por favor, descreva como a sua inovação aborda especificamente os obstáculos listados acima.

O foco se volta para o protagonismo dos agricultores e agricultoras experimentadoras, a partir do encontro de saberes locais como ferramenta para inovação nas tecnologias sociais. A ênfase do saber local com instrumento para atingir a eficácia. Um segundo está centrado na ausência de capacitação/formação como componente importantíssimo para o avanço das compreensões e conseqüentes inovações das experiências em curso. O encontro de saberes locais e sua interação com outras saberes e experiência permite o aprofundamento de soluções para a região semiárida. A ausência de visibilidade e investimento é perceptível a partir do exercício no processo de aprimoramento do conhecimento.

Como você está aumentando o impacto da sua organização ou iniciativa?
Por favor, selecionar até três possíveis caminhos em ordem de relevância para você (maior relevância receberia "1 " e menor "3").

Primário

Alcance geográfico: No país de atuação

SEGUNDO

Influenciando outras organizações e instituições através da disseminação das melhores práticas

TERCEIRO

Alcance geográfico: Em vários Países

Por favor, descreva qual ou quais das atividades de seu crescimento estão em curso ou planejadas para o futuro imediato.

Expandir as experiências de boias para lavagem do telhado no processo de captação de água de chuva e a bomba d’água aro trampolim ou trampolim, como ferramentas que melhoram a potabilidade da água e facilitam o processo de coleta de água das cisternas sem contaminação, incidindo diretamente na saúde das famílias, na perspectiva de que essas ferramentas sejam absorvidas pelas políticas públicas, com maior possibilidade de atendimento das populações rurais do semiárido. Dá prosseguimento aos quintais produtivos como meio de melhorar a produção no entorno das residências, melhorando a segurança alimentar e nutricional, gerando renda e equilíbrio no clima.

Você colabora ou faz parcerias com algum dos abaixo? (marque todas que se aplicam)

ONGs / entidades sem fins lucrativos, Academia / Universidades.

Se sim, como essas colaborações e parcerias vêm ajudando sua inovação a obter sucesso?

A contribuição de ONGs e entidades sem fins lucrativos tem sido primordial para que as inovações possam acontecer como fruto dos processos de promoção dos saberes locais com a interação com outros saberes. Por outro lado, a Academia/professores da Universidade tem dado uma contribuição importante no processo de divulgação das inovações na medida em que promovem visitas de intercâmbio de estudantes para conhecer as experiências. Há trocas de conhecimentos que permitem qualificar as inovações e abre canais de divulgação da experiência para dentro da universidade e para outras comunidades e região a partir do produto (novo conhecimento).

AnexoTamanho
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