A conservação do meio ambiente alça voo em Publa, no México
Quando Martín Camacho era criança, ele teve que abandonar a escola para ajudar sua família. Em vez de assistir às aulas, ia com seu pai capturar aves no interior. Enquanto estava envolvido com essa atividade, suas refeições eram preparadas com ovos de aves selvagens, frutos de cactos e pombos assados.
Aos 10 anos, Camacho teve uma revelação. Um pombo que estava assando no fogo com as asas abertas lembrou-lhe a figura de Jesus Cristo martirizado na cruz. Um católico devoto, essa imagem atiçou algo dentro de Camacho, que fez um voto de nunca mais matar um pássaro. “Eu senti que era um ser vivo que tinha que ser respeitado”, explica.
Essa visão levou Camacho a transformar o negócio de caçar pássaros de sua família, que já estava na terceira geração, em um projeto de conservação em grupo que salva pássaros e emprega ex-caçadores.
Em 1989, Camacho criou o Puebla Bird Catchers’ Union, que mantém um aviário abrigado em um reluzente domo geodésico. Chamado de Puebla Ecological Aviary, o domo abriga 1.300 aves em cinco diferentes habitats artificiais que reproduzem as diferentes paisagens do México.
O aviário é reflexo de dez anos de esforços coordenados pelos membros da Associação para encorajar a reprodução de espécies selvagens de aves ameaçadas pelo decréscimo de suas populações e das quais os habitantes da região dependem para seu sustento. A Associação foi a primeira organização no país a tentar criar aves selvagens em cativeiro e obteve tanto sucesso que outras estão agora seguindo seus passos.
A captura e a venda de aves selvagens como animais de estimação é um comércio respeitado no México, uma parte movimentada da economia de pequenos negócios nacional. Esse fato, unido às crescentes pressões das populações humanas, tem ameaçado as populações de pássaros selvagens. Como resultado, 36 das 1.150 espécies de aves selvagens do México estão hoje ameaçadas de extinção.
O declínio do número de aves atingiu seu auge nos anos 80 com o crescimento acentuado do desemprego no México, que levou pessoas a buscarem na captura de pássaros uma forma de suprir suas necessidades de sustento. Naquele tempo, os novos caçadores de aves frequentemente participavam de atividades ilegais, como captura e venda de pássaros sem nenhuma preocupação quanto à espécie ou às condições de comercialização.
Cansado de ver as populações de pássaros diminuírem, Camacho decidiu formar uma organização, mas descobriu que o principal desafio era conscientizar as pessoas sobre práticas de conservação. Para superar isso, a Associação realizou inicialmente uma série de cursos curtos e conferências para informar seus membros. A partir disso, eles desenvolveram um conjunto de regras para sua atuação e posteriormente compartilharam seu conhecimento sobre aves selvagens através de passeios guiados pelo aviário e de aproximações com outras organizações de caçadores de pássaros.
Entretanto, o que realmente distingue os membros da Associação dos outros cerca de 1.500 negociantes de pássaros em Puebla é seu foco em substituir a captura de pássaros com a reprodução em cativeiro, o que tem ajudado seus membros a reduzir a captura de pássaros selvagens em 20%. Hoje, o aviário ostenta a reprodução bem sucedida de 36 espécies mexicanas e migratórias.Sem subsídios governamentais ou apoio de fundos privados, os negociantes de pássaros financiam seu trabalho através da cobrança de uma taxa de 1 dólar para entrada no aviário e oferecendo passeios guiados para cerca de 2.000 visitantes por mês. Em poucos anos, a organização conseguiu apoio do U.S. Fish and Wildlife Service para um estudo sobre aves e um plano geral de gestão para o Flor Del Bosque Biosphere Reserve, uma importante fonte de oxigênio e água para Puebla. Seguindo o plano, a reserva criou um aviário com 16 abrigos para aves selvagens feridas, junto com um programa de reabilitação e soltura.

Com o passar dos anos, os esforços da Associação aumentaram a conscientização quanto à necessidade de se protegerem os pássaros e seus ambientes. Entretanto, a captura ilegal de aves continua acontecendo. Para resolver esse problema, o Puebla Bird Dealers [a Associação de Captores de Aves de Puebla] continua a divulgar os benefícios da reprodução em cativeiro. “Quando virem que é um bom negócio, as pessoas vão parar de capturar e começarão a criar pássaros”, explica Camacho.
Até 2010, Camacho espera que o aviário seja o melhor da América Latina, tendo consolidado sua base econômica e expandido sua capacidade de conservação, reprodução e educação. Ele pretende ter o Puebla Bird Dealers’ Union (Associação de Captores de Aves de Puebla) efetivamente inserido nos esforços mundiais de promover a conscientização ambiental através de parcerias com outras organizações e instituições. “Nossa responsabilidade com a sociedade é tornar as pessoas conscientes de quão próximo nós estamos de destruir nossos ecossistemas e perder nossa biodiversidade.”
Provocative Box:
O movimento para preservar a população de pássaros selvagens no México está florescendo graças ao comprometimento do Puebla Bird Catchers’ Union (Associação de Captores de Aves de Puebla), mas o governo não deveria banir a venda e exportação de pássaros exóticos? Qual seria o impacto de uma lei como essa na economia local? Quais seriam os ganhos para os ambientalistas?
Escrito por Talli Nauman
