Resgatando Crianças, Uma Por Vez

Um refúgio  para animais gerenciado por jovens na Bolívia  inspira confiança, desenvolve habilidades e estabelece profundos vínculos com o mundo natural.

Graças a Juan Carlos Antezana e Nena Baltazar, Tømas, de onze anos de idade, não está mais  engraxando sapatos nas ruas de El Alto, a maior e mais perigosa  favela da Bolívia. Ele está cuidando de pumas, macacos e pássaros no refúgio Inti Wara Yassi, na exuberante região tropical  do Chapari.

Em 1992, Antezana  descobriu uma fórmula poderosa para resgatar crianças  da vida nas ruas. Ele levava algumas crianças pobres e órfãs  de El Alto por uma trilha inca quando eles encontraram clareiras de floresta queimada e um pássaro faminto em uma gaiola. Juntos, eles resolveram “defender nossos irmãos:  as árvores e os animais.” A primeira brigada de Inti Wara Yassi, que significa Sol Estrela Lua, acabava de nascer.

“Jovens informados e engajados podem ter sucesso em persuadir a sociedade a ser mais cuidadosa com a vida em todas as suas formas”, explica Antezana. Desde então,  esse movimento liderado por jovens tem sido uma das forças ambientais líderes no país. Eles acompanharam mais de 3.000 crianças em projetos de larga escala de limpeza, protestos contra madeireiras ilegais e demandas por prestação de contas por parte do governo boliviano. No centro de suas operações está o Inti Wara Yassi, centro de preservação e reabilitação para a vida selvagem.

Na Bolívia existe um Mercado clandestino crescente de animais selvagens, muitos  deles ameaçados de extinção. Caçadores atiram em um puma e levam os filhotinhos para serem vendidos para circos, ou capturam um papagaio enfiam-no em uma sacola e o vendem para um hotel, para um contrabandista de animais ou um colecionador privado.  É evidente que esses animais raramente  sejam bem tratados.  E algumas vezes são  intensamente maltratados.

Conheça os jovens trabalhadores e voluntários de Inti Wara Yassi que planejam e executam as operações de resgate de animais. Em alguns casos,  esses são fáceis, como  foi com Watson, o papagaio, cujos donos, após cortarem suas asas, não o queriam  bicando seus móveis.  Mas às vezes não é nada fácil, como no caso de Theodore, um filhote de macaco Capuchim.  Seguindo uma  denúncia de que macacos estavam sendo maltratados em um circo próximo, Baltazar e alguns membros da brigada chamaram policias para investigar. Eles descobriram que a principal atração do circo era um ringue de luta no qual cachorros atacavam os macacos e estes lutavam por suas vidas. Quando eles resgataram os Capuchins, o policial confiscou, ilegalmente, Theodore, o mais jovem dos macaquinhos, para  mantê-lo como animal de estimação. Os voluntários, determinados a dar a Theodore uma vida melhor, tiveram que lutar sua própria batalha, na  justiça, até que conseguissem trazer o macaquinho  para a reserva.

Hoje, Inti Wara Yassi opera duas reservas animais gerenciadas por jovens: Machia, principalmente para macacos, quatis e pássaros e Ambue, uma área maior e mais selvagem povoada por mais de vinte jaguatiricas e pumas. Ambos atraem voluntários ansiosos que fazem todo o trabalho de alimentar, cuidar e preparar os animais para serem reintroduzidos à vida selvagem. Imagine uma lista de espera para uma semana exaustiva de 70 horas semanais. “Você está cansado, suado e sujo no fim de cada dia, conta Tony McAllister, um voluntário recente, mas a satisfação é indescritível”.