Uma Gincana para Promover Mudança

Às vezes,  para se atingir um objetivo sério, é necessário recorrer à diversão.  Luciana Martinelli tem a missão de fazer com que a população brasileira exercite  a participação cívica. Sua estratégia é começar com os jovens, que compõem um quinto da população brasileira. Seu plano de ação? Convidá-los para um grande jogo.

Martinelli desafiou 300 estudantes a participarem da Gincana  da Cidadania. Trabalhando em pequenos grupos, os estudantes  teriam que criar seus próprios projetos sociais para sanar problemas que eles  identificassem em suas comunidades. Os projetos  podiam ser pequenos  ou grandes,  indo desde soluções para o lixo jogado em ruas de favelas  à  inclusão das vozes de jovens nos planos municipais das cidades.

 Todo brasileiro sabe que o  seu país tem sérios problemas sociais. Trinta e dois por cento de sua população vive abaixo da linha de pobreza; desses, 25 milhões   vivem na mais extrema  miséria, sem acesso às necessidades básicas. Mas poucos de seus 180 milhões de cidadãos sabem  o que eles podem fazer para gerar mudança. Uma história de repressão política e social deixou os cidadãos brasileiros ‘fora de forma’, explica Martinelli. A organização que ela fundou chama-se Aracati: Agência de Mobilização Social, e está estruturada para  estimular a criatividade dos jovens  a trabalhar por soluções.

A cada passo do processo, os grupos  recebiam tarefas,  atribuídas como peças de um quebra-cabeça, que os  desafiavam, primeiramente, a identificar problemas sociais que  quisessem mudar, definir um objetivo e fazer um planejamento, para, em seguida, agir e avaliar os resultados.

Os estudantes apelidaram o quebra-cabeça de “Wilson” por ser, nas suas próprias palavras , “como um amigo imaginário que nos apóia e nos guia”, muito como o amigo de Tom Hanks no filme “Náufrago”, representado por uma bola de vôlei da marca Wilson.

“A Gincana nos mostrou não somente como lançar uma  ideia, mas realmente como  realizá-la passo a passo”, nos conta João Felipe Scarpelini, que entrou no jogo aos 16 anos. Ele aprendeu como escrever propostas de projetos, captar recursos, gerir o dinheiro e até mesmo como falar  diante do conselho municipal de Santos. “Eu entrei pensando que era somente um jogo e  saí como um cidadão de verdade”, conta Scarpelini.

 “A Gincana nos ensinou como ir atrás de nossos sonhos por nós mesmos e por nossa comunidade”, explica Darline Rocha, cujo grupo “Attitute” lançou  uma iniciativa para remover mais de  cem quilos de lixo das ruas de sua vizinhança.

 Nessa trajetória, Martinelli obteve a cooperação não só de escolas, mas também do governo municipal e do jornal local. O município respondeu com planos para construir  um centro para jovens com contribuições dos próprios jovens. O jornal publicou uma série de 52 artigos sobre a Gincana em dois anos, dando visibilidade ao trabalho para leitores em toda a cidade.

Desde que os jogos terminaram, muitos dos estudantes seguiram no trabalho por mudança social sob novos  cuidados.

Atualmente, uma das opções é o Jovens em Ação, um projeto da Aracati que forma parcerias entre organizações sociais e os jovens que  tenham se beneficiado de seu trabalho. O objetivo de Martinelli é fazer dessas organizações  incubadoras para a próxima geração de empreendedores sociais.

 “A participação social é a chave para uma democracia saudável”, explica Martinelli. Para os jovens tocados pelo trabalho da Aracati, “aprender como ser cidadãos proativos hoje se projeta nas famílias que teremos amanhã”.

Comentário/pergunta do autor:  É especialmente importante para  o desenvolvimento e a motivação dos jovens ver que  sua ação tem um impacto. Mas  é necessário dirigi-los apenas a projetos que  terão, de forma garantida, um resultado positivo?