Agência de Desenvolvimento Econômico Local (ADEL) – Brasil

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Agência de Desenvolvimento Econômico Local (ADEL) – Brasil

Brasil
Tipo de organização: 
Sem fins lucrativos / ONG/ Setor Civil
Orçamento: 
$100,000 - $250,000
Resumo do projeto
Pitch de Elevador (Explicação curta e direta)

Resumo conciso: Ajude-nos a lançar esta solução! Forneça uma explicação dentro de 3-4 frases curtas.

A ADEL é um empreendimento social criado por jovens de comunidades rurais do semiárido que cursaram a universidade e retornaram para atuar em prol do desenvolvimento local rural. A ADEL acredita no potencial da agricultura familiar para o desenvolvimento socioeconômico no semiárido. Que através da formação de capital social e da criação de uma nova perspectiva de empreendedorismo e cooperação, os agricultores irão aprimorar a produção e comercialização e aumentar sua rentabilidade. A ADEL atua com três pilares: (1) estruturação das cadeias produtivas e arranjos produtivos locais; (2) inclusão socioprodutiva e empreendedorismo juvenil e (3) formação de redes locais.

SOBRE O PROJETO

Problema: Este projeto busca solucionar qual problema?

Hoje a ADEL está atuando, cerca de 100 comunidades rurais de quatro municípios do Vale do Curu, no norte do Ceará: Pentecoste, Tejuçuoca, Apuiarés e General Sampaio. São comunidades de pequenos produtores da agricultura familiar, que convivem com os desafios do clima semiárido e da vegetação de caatinga, com o avanço da desertificação. Os agricultores utilizam técnicas antiquadas e muito pouco eficientes de produção, que é entregue a atravessadores (intermediários comerciais) por valores muito abaixo dos de mercado. Concorrem entre si, na medida em que vendem individualmente para os mesmos atravessadores. O crédito, tão solicitado pelos produtores, acaba sendo um mal. Já que nao há serviços apropriados de formação e assistência técnica aos agricultores. Que utilizam os empréstimos para adquirir equipamentos e insumos modernos, que não sabem utilizar corretamente. Acabam em depreciação em galpões e armazéns. Estruturas e equipamentos que poderiam ser utilizados coletivamente sao adquiridos por diversos produtores em um mesmo território, causando a saturação. Da mesma forma, sem coordenação, os produtores enfatizam nas mesmas linhas produtivas e acabam reduzindo os preços de seu trabalho. Por fim, os agricultores familiares atuam nos estágios mais primários das cadeias produtivas - as que têm menor valor agregado e geram menos postos de trabalho. Nao chegam a ocupar as etapas de beneficiamento e processamento, da mesma forma como nao escoam essas produções para mercados rentáveis da própria região. A ADEL atua na formação e apoio técnico e gerencial a esses pequenos produtores, tendo como estratégia para o desenvolvimento local o fortalecimento da agricultura familiar. A abordagem é facilitada pelo fato dos agricultores conhecerem os jovens técnicos da ADEL, que reconhecem os códigos e símbolos da cultura local. Um grande diferencial é que esses jovens, por serem das comunidades em que atuam, identificam pontos de alianças potenciais entre saberes tradicionais, passados de geração para geração, com conhecimentos e práticas modernas, que aprenderam na universidade. A Adel atua nas cadeias produtivas da caprinovinocultura (caprinos e ovinos), apicultura (abelhas), horticultura (legumes e verduras) e fruticultura (frutas). Tudo pela perspectiva da agroecologia. Os jovens e as mulheres sao públicos estratégicos nesse cenário. Por representarem talentos e potencialidades para agregar valor aos processos e arranjos produtivos locais. São recursos humanos qualificados para assumirem estágios de processamento e beneficiamento nas cadeias produtivas: produção de mel (apicultura), processamento de carne e de couro(caprinovinocultura), produção de compotas (fruticultura), dentre outros. Os jovens ainda têm vocação para atuar em áreas essenciais para o desenvolvimento, como a gestão e a comercialização. Transformando os estabelecimentos em empreendimentos com perspectiva de negócios rurais sustentáveis. A ADEL tem como pressuposto que o desenvolvimento local apenas é sustentável quando é baseado em um processo endógeno de formação de capital social. Os jovens também têm um papel-chave no processo de fortalecimento da organização dos pequenos produtores em foruns, redes territoriais, cooperativas e associações. Para aprimorar os processos de governança local. A ADEL vem trabalhando para o rejuvenescimento das associações de base, com maior participação dos jovens nas reuniões e assembléias - o que inclui formação de foruns e associações específicas de jovens produtores e empreendedores rurais.

Solução: Qual é a solução proposta? Por favor, seja específico!

A ADEL é uma organização social criada, formada e gerida apenas por jovens entre 18 e 29 anos, que vieram de comunidades rurais do semiárido e que tiveram a oportunidade de cursas a universidade em áreas como economia, zootecnia, engenharia e agronomia. Fizeram uma escolha, por retornar aos seus territórios de origem para investir os conhecimentos e práticas que adquiriram em prol do desenvolvimento socioeconomico sustentável local. Enquanto proposta organizacional, a ADEL é uma inovação no Brasil - tanto por ser uma agência de desenvolvimento da própria sociedade civil, como ser formada inteiramente por jovens. O segundo ponto inovador é o foco na inclusão socioprodutiva de jovens no semiárido nordestino, indo de encontro a mitos que povoam o imaginário popular brasileiro, que relacionam o sertão a miséria, fome e violência. A ADEL inova ao promover o desenvolvimento pela perspectiva do empreendedorismo rural, que pensa o campo como terreno de oportunidades, com base nas particularidades ambientais do semiárido que, ao contrário de serem ameaças, são potencialidades quando trabalhadas pela ótica da sustentabilidade. O projeto mostra ao pequeno produtor que ele é o agente da transformação social e do desenvolvimento econômico local no semiárido. São muitos os projetos que trabalham com apoio ao pequeno produtor rural no Nordeste brasileiro. No entanto, as organizações relatam os imensos desafios que praticamente inviabilizam a atuação efetiva com os jovens.
Impact: How does it Work

Exemplo: Compartilhe um exemplo específico de como essa solução faz a diferença, inclua situações práticas.

A ADEL é uma tecnologia social de desenvolvimento local rural. Consiste na organização de um empreendimento social, sem fins lucrativos, que oferece serviços de suporte técnico e gerencial aos grupos de pequenos produtores da região. A ADEL nasceu de uma oportunidade: a disponibilidade de jovens das comunidades rurais que foram para a universidade e que fizeram a escolha por retornar para suas comunidades de origem para contribuir para o seu desenvolvimento. A agricultura familiar é a atividade econômica predominante em toda a região. Principalmente as atividades de caprinovinocultura (cabras e bodes), apicultura (abelhas), avicultura (aves), fruticultura (frutas) e horticultura (verduras e legumes). No entanto, os pequenos produtores praticam uma agricultura tradicional e com baixíssima eficiência. Trabalham isolados e vendem suas produções para atravessadores. Ocupam os estágios primários das cadeias produtivas. Os processos mais rentáveis (beneficiamento, processamento e venda de produtos finais nos mercados principais) são concentrados nas mãos dos grandes produtores. Os jovens têm como perspectiva dar continuidade a esses processos nas propriedades de seus pais ou migrar para os centros urbanos atrás de empregos (iludidos pela imagem de modernidade e riqueza associada à cidade). É nesse sentido que a ADEL intervém nessa realidade, desenvolvendo projetos socioprodutivos com os grupos de agricultores para: capacitá-los em novas e modernas práticas e ferramentas paras operações de produção, para a gestão e para comercialização direta; formá-los em gestão cooperativa e participativa de empreendimentos rurais; aprimorar e ampliar sua infraestrutura de produção rural (implantação de agroindústrias para beneficiamento e processamento dos produtos primários; fortalecer as associacões, cooperativas e foruns territoriais e, assim, aumentar a força de comercialização, agregando valor às cadeias produtivas e, por fim, influenciar as políticas públicas de apoio à agricultura familiar. Ao fim, o programa tem um objetivo central: aumentar a produtividade e a rentabilidade na agricultura familiar no semiárido. A primeira etapa da tecnologia social consiste em abordar as comunidades através de suas associações e cooperativas. A segunda etapa é a realização de um diagnóstico participativo com as comunidades para identificação de potencialidades, vocações e limitações locais. Com base nos desafios e nas oportunidades analisados nos diagnósticos, são feitos planos estratégicos participativos para o aprimoramento das atividades produtivas dos grupos comunitários - articulados em cooperação. Os planos evidenciam ações como: capacitação técnica, formação gerencial, implantação de unidades agroindustriais, implantação de novos métodos e ferramentas de produção, inclusão socioprodutiva de jovens e mulheres nas cadeias de produção, dentre outras ações que ampliam as capacidades de produção, comercialização e gestão dos grupos produtivos. Para garantir a sustentabilidade dos arranjos produtivos criados, a ADEL investe no fortalecimento das associações e na criação de cooperativas regionais - através de formações específicas em gestão cooperativa e na assessoria aos grupos para que conigam administrar estruturas compartilhadas nas cadeias produtivas (uma só estrutura sendo usada pelo grupo de agricultores das comunidades mais próximas, evitando que cada agricultor tenha sua propria estrutura individual e onerosa para sua produção). O próprio exercício de gerir essas estruturas produtivas compartilhadas já contribui na formação dos agricultores em cooperativismo. Ao fim desse processo, a ADEL contribui para formação de empreendimentos rurais cooperativos e comunitários - onde cada agricultor é mais eficiente na sua produção e a comunidade, como um todo, tem sua atividade produtiva com valor agregado. No campo macro do desenvolvimento territorial, a ADEL tem duas funções especiais, consideradas prioritárias em sua estratégia: (1) a articulação dos pequenos produtores de todo o território para a formação de foruns regionais e diálogo com gestores públicos e (2) funcionar como uma ponte entre instituições de fomento e investidores e os grupos de pequenos produtores. A ADEL possui um modelo de negócios para sua sustentabilidade: depois dos diagnósticos, elabora os projetos socioprodutivos para as comunidades, tendo as associações locais como "clientes/usuários", e busca parcerias com investidores e parceiros para viabilizar a implantação de tais projetos. Depois que as associações e cooperativas se desenvolvem, elas podem arcar com parte dos custos, compartilhando o investimento com as entidades de fomento. Atualmente, a ADEL conta com uma forte parceria com o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) - que investe no desenvolvimento das associações locais de produtores através da atuação da ADEL.
Sobre Você
Organização:
Agência de Desenvolvimento Econômico Local - ADEL
Sobre Você
Nome

Wagner

Sobrenome

Gomes

Sobre Sua Organização
Nome da Organização

Agência de Desenvolvimento Econômico Local - ADEL

País da organização

, CE

Países onde este projeto vem gerando impacto social

, CE

Há quanto tempo sua organização está em operação?

Entre 1 e 5 anos

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INOVAÇÃO
Em que estágio está seu projeto?

Em execução entre 1 e 5 anos

Compartilhe a história do(a) fundador(a) e o que o(a) inspirou a iniciar este projeto

Wagner Gomes, 27 anos, nasceu e foi criado na Comunidade Monte Alverne, no município de Apuiarés, Ceará. Até a adolescência, seguiu a mesma trajetória de qualquer jovem do sertão. E suas perspectivas estavam voltadas para dar continuidade ao trabalho de seus pais na pequena propriedade da família. Não era o que queria. Interessou-se, desde novo, pelos processos de organização e gestão das atividades produtivas de sua família. Cursou a escola rural local até que teve acesso ao PRECE (Programa de Educação em Células Cooperativas), onde se preparou para o exame Vestibular e aprendeu sobre a metodologia de aprendizagem cooperativa. No PRECE, aprendeu ainda sobre a importância da cooperação e do capital social para o desenvolvimento da região e que uma transformação social mais profunda seria possível a partir da formação de recursos humanos e de sua aplicação em prol do desenvolvimento do território.
Ingressou na Universidade Federal do Ceará, onde se formou em Economia em 2009. Em 2007 fundou a ADEL com outros jovens da região, que mobilizou para dar vida ao seu projeto de retornar para promover o desenvolvimento local das comunidades do Vale do Curu, sendo seu Diretor Executivo desde então. Em 2010 conquistou o Prêmio Empreendedor Social de Futuro, da Folha de São Paulo e da Fundação Schwab.

IMPACTO SOCIAL
Por favor, descreva como o projeto tem sido bem sucedido e como esse sucesso é medido.

O primeiro resultado é institucional: a consolidação da ADEL como agência de desenvolvimento econômico local do território do Vale do Curu, formada e gerida 100% por jovens da região. A ADEL já conquistou prêmios importantes, que mostram o reconhecimento de seu trabalho em nível nacional: como a segunda colocação no Prêmio Rosani Cunha (Ministério do Desenvolvimento Social), a menção honrosa no Prêmio Celso Furtado (Ministério da Integração Regional), o Prêmio Ozires Silva (Fundação Getúlio Vargas) e o Prêmio Empreendedor Social do Futuro (Folha de São Paulo e Fundação Schwab), conquistado por Wagner Gomes - Diretor Executivo da ADEL. Também já conta com parcerias como o Instituto Souza Cruz, a Fundação Konrad Adenauer e o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) - instituições com critérios rigorosos de gestão, que evidenciam a competência e a credbilidade da ADEL no Brasil hoje. Devem ser destacados como resultados porque a ADEL é gerida apenas por jovens, que vieram das comunidades rurais e que, no início do projeto, eram vistos com desconfiança.
A ADEL também conquistou a confiança dos pequenos produtores rurais de toda a região. O que era um outro grande desafio a ser superado. Os jovens, hoje, contam com a parceria e a credibilidade dos agricultores.
A ADEL já atendeu a mais de 600 agricultores familiares de cerca de 100 comunidades rurais dos municípios de Pentecoste, Apuiarés, Tejuçuoca, General Sampaio e Umirim - municípios da microrregião do Médio Curu. Outros 80 jovens já foram capacitados em empreendedorismo rural, cooperativismo, agorecologia e técnicas modernas de produção nas áreas de caprinovinocultura e apicultura. Esses 80 jovens tem sido assessorados, em suas comunidades, para que sejam incluídos nas atividades produtivas locais em funções estratégicas, principalmente ligadas a beneficiamento/processamento de produtos e nas fases de comercialização. Os jovens também estão participando mais e com maior intensidade dos processos decisórios de governança local - nas associações, cooperativas e nos fóruns regionais. O que indica um rejuvenescimento desses espaços.
A ADEL já contribuiu com a implantação de empreendimentos rurais comunitários, em formatos de cooperativas (mesmo que ainda não formalizadas) em todas as comunidades que já foram atendidas. Alguns têm se desenvolvido com destaque: como os empreendimentos de caprinovinocultura de Pentecoste (que já conta com uma cooperativa de pequenos produtores, criada em parceria com a ADEL) e de Apuiarés e o grupo de apicultores de Apuiarés. Desse modo, a ADEL vem contribuindo, também, para reorganização dos setores produtivos da agricultura familiar no território, compondo redes mais consistentes e atuantes, especialmente na área de comercialização direta. Nesse ponto, a ADEL tem mais resultados de destaque: a inserção de mais de 80% dos agricultores atendidos nos programas de apoio à comercialização direta do Governo Federal - Programa de Aquisição de Alimentos (Ministério do Desenvolvimento Social) e Programa Compra Direta (Ministério do Desenvolvimento Agrário). A ADEL também realiza feiras e eventos de comercialização e promoção dos produtos do território em toda a região - como sua participação especial no TejuBode (grande festival tradicional feito no município de Tejuçuoca).
Outro resultado importante é a diversificação da produção nas comunidades rurais - na agricultura familiar. O que é uma condição para o desenvolvimento econômico da região. Diversificação produtiva - quanto a variedade de produtos da mesma cadeia produtiva (beneficiamento e processamento)a de diferentes cadeias produtivas (abertura de novas linhas de cultivo/produção). O primeiro é fundamental para aumentar a rentabilidade dos agricultores familiares - na medida em que beneficiam/processam os produtos primários, agregam valor e comercializam em grupo, por preços muito mais altos do que eram praticados quando apenas vendiam os produtos primários para atravessadores. O segundo também é fundamental - produtores que trabalhavam apenas com caprinos e ovinos, hoje já trabalham com apicultura e horticultura no sistema agroecológico. Ainda mais interessante é que os jovens ganham espaço nessa diversificação para sua inclusão socioprodutiva - um exemplo disso é a implantação de um polo de jovens apicultores no município de Apuiarés.
Em termos gerais, os seguintes resultados tangíveis podem ser destacados:
(1)a ampliação da infra-estrutura produtiva no território – construção de 01 Centro de Terminação de Cordeiros, Aquisição de 06 ensiladeiras e 05 enfardadeiras, implanção de uma capineira com sistema de irrigação completo, construção de agroindustria de processamento de mel, implantação de uma agroindustria de processamento de ração de caprinos e ovinos, reativação de uma agroindustria de processamento de carne caprina e ovina;
(2)a capacitação de mais de 600 agricultores familiares em técnicas para ganho de eficiência e qualificação do processo produtivo, certificação de seus produtos, gestão cooperativa, associativismo, participação em espaços de governança e formulação de políticas públicas e comercialização;
(3)o fortalecimento de 23 associações de pequenos produtores da agricultura familiar nas comunidades do território;
(4)a criação de uma cooperativa territorial, reunindo pequenos produtores rurais locais do município de Pentecoste e
(5)a criação e fortalecimento de 04 fóruns regionais de pequenos produtores rurais, com participação de cerca de 240 agricultores de 32 associações (todos os planejamentos, programas e projetos são aprovados nessas instâncias antes de sua consolidação, inclusive por órgãos como o Banco do Nordeste (BNB) e o Governo do Estado).
Indicadores de impacto social estão alinhados para serem verificados em um processo mais amplo de avaliação:
(1) Produtividade das propriedades rurais nas comunidades atendidas;
(2) Rentabilidade dos estabelecimentos rurais do território;
(3) Valor agregado às cadeias produtivas trabalhadas;
(4) Renda familiar média para os agricultores familiares no território;
(5) Políticas públicas e investimentos sociais influenciados a partir de processos decisórios participativos em nível local;
(6) Participação dos agricultores, de jovens e mulheres nos espaços coletivos de decisão - fóruns, associações e cooperativas.
(7) Proporção de pequenos produtores cooperativados e
(8) Proporção da produção bruta do território comercializada de modo direto;
(9) Proporção da produção bruta beneficiada/processada pelos próprios agricultores familiares.
O cálculo da quantidade de pessoas impactadas pelo projeto considera as famílias dos agricultores. O número estimado de pessoas impactadas, desse modo, é de 2.200 pessoas.

Quantas pessoas foram impactadas por seu projeto?

1,001- 10,000

Quantas pessoas poderão ser impactadas por seu projeto nos próximos três anos?

1,001-10,000

Como seu projeto se expandirá ao longo dos próximos três anos?

O crescimento local ocorrerá pela diversificação das cadeias produtivas em que a ADEL atua para avicultura e piscicultura. A expansão geográfica já ocorre: a ADEL atende a cerca de 150% mais agricultores do que no final de 2009. A expansão está planejada para ocorrer este ano para o Perímetro Irrigado do Baixo Acaraú, onde a ADEL vai trabalhar com mulheres para criar um empreendimento agroindustrial e um arranjo produtivo de fruticultura, em parceria com o BNB. A ADEL também vai implantar em Pentecoste o Centro de Referência ao Jovem Empreendedor Rural, em parceria com o Instituto Souza Cruz.

SUSTENTABILIDADE
Quais são as barreiras que podem dificultar o sucesso de seu projeto e como pretende superá-las?

Três desafios se destacam:
(1) A ADEL depende da disponibilidade de recursos humanos para atuar de acordo com suas premissas e valores originais - jovens de comunidades rurais, qualificados e formados, retornando para contribuir para o desenvolvimento dos territórios rurais. É possível, é claro, trabalhar com profissionais de mercado, que não seguem essa linha. No entanto, é uma ameaça para a ADEL se o número de profissionais sem essa característica for superior ao número de jovens que tem. Para tanto, é necessário que o crescimento da ADEL seja acompanhado pela formação de jovens do campo na universidade, que estejam interessados em retornar para o semiárido para trabalhar na ADEL. É um limitador. Hoje, por exemplo, o que impede a ADEL de trabalhar com a cadeia produtiva da piscicultura, muito estratégica em Pentecoste, é justamente o fato de não encontrar um jovem que tenha expertise na área para atuar nos projetos socioprodutivos elaborados. Reconhecendo este como um limitante estratégico para o seu desenvolvimento, a ADEL, hoje, investe muito em seu Programa Jovem Empreendedor Rural - para identificar as vocações e mobilizar os jovens, inclusive, para ingressar na universidade e ter o interesse de retornar para o campo para contribuir com o desenvolvimento do território. A região já conta com um programa muito eficaz na preparação de jovens para ingressar na universidade: o PRECE (Programa de Educação em Células Cooperativas). Foi através deste programa, que utiliza uma metodologia própria e especial de preparação dos jovens para o Vestibular chamada "aprendizagem cooperativa", que os jovens que fundaram a ADEL foram preparados e ingressaram na Universidade Federal do Ceará.
(2) A cultura produtiva vigente no campo e o grau de resistência dos produtores mais tradicionais. Primeiramente, pela ADEL ser uma organização formada por jovens. Depois, por apresentar uma proposta de produção em rede, tendo a cooperação como elemento essencial. E os produtores tradicionalmente possuem formas individuais e cristalizadas de produzir. Por fim, pelo trauma que as famílias já possuíam em experimentar mudanças em seus processos de produção – considerando as experiências passadas com créditos que não puderam ser pagos e que levaram a endividamento e perda de produção. Esse desafio, que é uma constante na atuação da ADEL, é enfrentado diariamente pela proximidade com que os técnicos de campo da entidade mantém das associações locais e pelo diálogo fluído, franco e dinâmico que é construído nesses espaços. Os agricultores entendem hoje que a ADEL é uma entidade séria, competente e, principalmente, parceira das entidades do campo. O que gera, no dia a dia, uma relação de cumplicidade.
(3)A gestão do desenvolvimento local, de modo participativo, no Brasil é um grande desafio. Os governos locais, especialmente no Nordeste brasileiro, ainda não compreendem o conceito de desenvolvimento humano como integrado e democrático. Ocupam-se, assim, da tarefa do fomento ao desenvolvimento de caráter tradicional e conservador, abordando aspectos macroeconômicos e não tratando de questões como equidade, participação social e enfoque multisetorial. Da mesma forma, apresentam dificuldade em dialogar com organizações da sociedade civil, principalmente as que buscam atuar promovendo o desenvolvimento. Muitas vezes, consideram essas organizações, como a ADEL, como concorrentes e não parceiras. A ADEL, no entanto, se mantém aberta ao diálogo com todas as instituições, públicas e privadas, do estado do Ceará. Mantém uma relação próxima e direta com as Prefeituras Municipais de todos os municípios em que atua, assim como com o Governo Estadual do Ceará. Senta à mesa para conversar com parceiros bastante estratégicos como o Banco do Nordeste do Brasil (BNB), a EMBRAPA e representantes de Ministérios que visitam a região. Do mesmo modo, mantém uma relação bastante estreita com os movimentos sociais e as entidades organizativas dos agricultores nas suas bases. A ADEL prioriza debates e diálogos pautados por critérios técnicos e projetos socioprodutivos objetivamente elaborados, com base em dados e pressupostos empiricamente analisados.
(4)As condições ambientais em que a ADEL atua representa um conjunto de grandes desafios. O semiárido demanda soluções novas, criativas e de baixo custo, que estejam antenadas com estratégias de convivência sustentável das comunidades no ambiente em que vivem. Destaca-se, nesse sentido, que os técnicos da ADEL são jovens que nasceram e foram criados nas comunidades rurais em que hoje atuam. Conhecem os saberes e técnicas tradicionais, oriundos da cultura local, e conseguem aliar esses conhecimentos com as técnicas e ferramentas mais modernas. Os técnicos da ADEL têm expertise prática sobre a agricultura praticada no semiárido e encaram a tarefa de aprimoramento produtivo como um exercício de desenvolvimento de novas soluções e tecnologias, sempre em conjunto com os pequenos produtores, em suas propriedades.

Por favor, explique de que forma o estabelecimento de parcerias é importante para o sucesso de sua inovação

Sem parcerias, um projeto como este seria inviável. Na medida em que consiste justamente em fortalecer as redes de parceiros que atuam em prol do desenvolvimento local. A ADEL é uma organização que oferece uma gama de serviços especializados para formação e assessoria aos agricultores. No entanto, o trabalho, acima de tudo, consiste em facilitar e contribuir na coordenação de uma grande rede de associações locais (comunitárias), cooperativas de produção e comercialização, centrais cooperativas, sindicatos de trabalhadores e trabalhadoras rurais e fóruns territoriais e regionais. A ADEL é parceira de diversas entidades e centros representativos de movimentos sociais no Vale do Curu. Um exemplo claro disso é que o primeiro ponto de abordagem do projeto aos agricultores é sempre através da associação de pequenos produtores rurais de suas comunidades. Mesmo que seja uma associação ainda informal. Sem as entidades organizativas e os movimentos sociais de base, nao haveria uma rede de atuação sociopolitica e de gestão participativa da produção (economias locais). A ADEL ainda conta com a parceria de todas as prefeituras dos quatro municípios em que atua neste programa e com um diálogo aberto com o governo estadual do Ceará. Um outro parceiro muito estratégico é o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) - por ser um banco vocacionado ao fomento ao desenvolvimento. Instrumento absolutamente essencial para apoiar os projetos socioprodutivos e de fortalecimento organizativo (gestão participativa), além de ser um interessado no aprimoramento e ganho de rentabilidade dessas atividades produtivas.
Enfim, faz parte do próprio processo formativo dos agricultores, enquanto empreendedores rurais, aprender a cultivar o diálogo intersetorial, com foco no compartilhamento e na viabilização de agendas, acima de conflitos pré-estabelecidos, ideológicos e geradores de inércia.

Detalhe as suas escolhas acima

A ADEL conta com dois parceiros fundamentais, do ponto de vista de manutenção e ampliação de suas atividades: o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e o Instituto Souza Cruz. O BNB acredita no modelo institucional e de atuação da ADEL e é parceiro na viabilização dos projetos socioprodutivos desenvolvidos para as comunidades de base. Ocorre, assim, uma triangulação: a associação comunitária demanda o projeto para o desenvolvimento de sua atividade produtiva ao BNB, que apóia financeiramente o desenvolvimento do projeto e repassa os recursos para sua viabilização para a associação comunitária; a associação comunitária, por sua vez, contrata a ADEL para desenvolver/operacionalizar o projeto socioprodutivo. Desse modo, a ADEL é uma prestadora de serviços para as associações comunitárias para o desenvolvimento dos projetos socioprodutivos elaborados a partir do diagnóstico participativo feito nas comunidades. O Instituto Souza Cruz é investidor social no Programa Jovem Empreendedor Rural, da ADEL. Com seus recursos, a ADEL construirá o Centro de Referência ao Jovem Empreendedor Rural, no município de Pentecoste. A ADEL também conta com a parceria das Prefeituras Municipais para realização de eventos e feiras de comercialização e promoção de produtos do território, para ampliação de infraestrutura e para remuneração de técnicos de extensão rural.

De que forma você planeja fortalecer financeiramente seu projeto ao longo dos próximos três anos?

A ADEL foi criada com o intuito de ser uma empresa social, para oferecer serviços especializados de formação e assessoria técnica e gerencial a atores econômicos de territórios rurais de um modo como não é realizado por outras entidades. A ADEL possui recursos humanos e competência técnica para gerir projetos socioprodutivos de desenvolvimento local, podendo assessorar empresas em ações de investimento social, governos na elaboração e execução de políticas publicas e OSCs/ONGs na elaboração e desenvolvimento de programas sociais. Outro público são os agricultores, que, na medida em que se desenvolvem, passam a ser capazes de reconhecer a expertise da ADEL enquanto ator de coordenação de clusters locais para aumento de produtividade e rentabilidade. A ADEL trabalha na construção de uma carteira de serviços para implantar modelos híbridos de financiamento - em que os agricultores arcam com parte dos custos, enquanto a entidade busca parcerias e investidores sociais para complementação do orçamento. Os governos locais têm se interessado pelo modelo proposto pela ADEL, até mesmo pelo valor agregado que representa, ao abordar pontos como gestão participativa e formação de capital social - que outras entidades de assessoria e fomento não abordam em suas metodologias de extensão rural.

Desafios
Em quais obstáculos ao emprego e trabalho o seu projeto atua?
Por favor, selecionar até três por ordem de relevância para seu projeto (maior relevância recebe um "1" e a menor, "3").

Primeiro

Ausência de capacitação / formação

SEGUNDO

Ausência de eficácia

TERCEIRO

Normas culturais restritivas

Por favor, descreva como a sua inovação aborda especificamente os obstáculos listados acima.

A tecnologia social desenvolvida pela ADEL tem como seu elemento primordial a formação técnica e gerencial dos agricultores familiares, com foco em cooperação e capital social. A assessoria tem foco na aplicação prática do conhecimento para aumentar produtividade e rentabilidade (aumentar a eficácia). E um dos principais desafios é aliar os saberes tradicionais, ligados a uma cultura produtiva conservadora, a técnicas modernas de produção, gestão e comercialização na agricultura familiar.

Como você está aumentando o impacto da sua organização ou iniciativa?
Por favor, selecionar até três possíveis caminhos em ordem de relevância para você (maior relevância receberia "1 " e menor "3").

Primário

Reforçando o impacto existente através da adição de serviços complementares

SEGUNDO

TERCEIRO

Adaptando seu modelo para outros setores / necessidades de desenvolvimento

Por favor, descreva qual ou quais das atividades de seu crescimento estão em curso ou planejadas para o futuro imediato.

A implantação do Centro de Referência ao Jovem Empreendedor Rural, no município de Pentecoste, em parceria com o Instituto Souza Cruz, irá permitir que a ADEL tenha uma estrutura completa para formação de jovens da região e um espaço para desenvolvimento e difusão de técnicas e conhecimentos na área. O projeto socioprodutivo de implantação de agroindústria de processamento de frutas para mulheres do Perímetro Irrigado do Baixo Acaraú, em parceria com o BNB. E o início da atuação nas cadeias produtivas da avicultura em General Sampaio e da piscicultura em Pentecoste.

Você colabora ou faz parcerias com algum dos abaixo? (marque todas que se aplicam)

ONGs / entidades sem fins lucrativos, Empresas, Academia / Universidades.

Se sim, como essas colaborações e parcerias vêm ajudando sua inovação a obter sucesso?

O principal trabalho da ADEL é de articulação e coordenação de atores parceiros e estratégicos. A Universidade Federal do Ceará, por exemplo, é fundamental ao disponibilizar sua estrutura e seus recursos humanos para contribuir nas atividades de capacitação realizadas pela ADEL (consultoria, produção de material didático, etc). Os governos locais são importantes para realização de feiras e eventos de promoção e comercialização. Entidades como o Instituto Coração de Estudante são parceiros na mobilização e articulação dos agricultores, em especial dos jovens. E empresas, como o BNB e a Souza Cruz, são essenciais para captação de recursos e viabilização dos projetos.